Por que pensamos ser o centro do mundo e das atenções?
Se, a cada momento, trilhões de seres, apenas neste planeta, vivem suas vidas,
por que pensar que somos tão importantes assim?
Sabemos, com certeza, que não somos o centro do mundo.
Sabemos que os outros seres não vivem em função da nossa existência.
Mas mesmo assim, queremos que isso aconteça.
É por isso que temos a impressão de que qualquer cochicho ao nosso redor,
qualquer amigo ou amiga triste,
ou qualquer situação que nos cerca
é culpa nossa ou tem algo a ver conosco.
Vejo o mesmo comportamento na forma como os seres humanos se relacionam com a Terra.
Existe uma vontade insistente de mostrar que somos responsáveis por tudo o que acontece.
Terremotos, tsunamis, furacões, desequilíbrios naturais.
Queremos acreditar que temos controle.
E pior do que assumir essa responsabilidade
é acreditar que somos capazes de mudar tudo isso.
Na minha opinião, isso é arrogância.
Sim, o ser humano degradou demasiadamente a Terra.
E sim, podemos buscar formas de reduzir os impactos que causamos.
Mas acreditar que temos poder para resolver todos os problemas
é tão ilusório quanto uma única pessoa achar que é o centro do mundo.
Assim como nenhum indivíduo é o centro de tudo,
nenhuma espécie é.
E a Terra, por sua vez, também não é o centro do universo.
No singular, o ser humano busca centralidade.
No coletivo, ele faz o mesmo.
Quer que tudo ao redor
seja sua responsabilidade.
Ou pior: sua criação.

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