quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Centro do Mundo

Por que pensamos ser o centro do mundo e das atenções?

Se, a cada momento, trilhões de seres, apenas neste planeta, vivem suas vidas,
por que pensar que somos tão importantes assim?

Sabemos, com certeza, que não somos o centro do mundo.
Sabemos que os outros seres não vivem em função da nossa existência.
Mas mesmo assim, queremos que isso aconteça.

É por isso que temos a impressão de que qualquer cochicho ao nosso redor,
qualquer amigo ou amiga triste,
ou qualquer situação que nos cerca
é culpa nossa ou tem algo a ver conosco.

Vejo o mesmo comportamento na forma como os seres humanos se relacionam com a Terra.
Existe uma vontade insistente de mostrar que somos responsáveis por tudo o que acontece.
Terremotos, tsunamis, furacões, desequilíbrios naturais.
Queremos acreditar que temos controle.
E pior do que assumir essa responsabilidade
é acreditar que somos capazes de mudar tudo isso.

Na minha opinião, isso é arrogância.

Sim, o ser humano degradou demasiadamente a Terra.
E sim, podemos buscar formas de reduzir os impactos que causamos.
Mas acreditar que temos poder para resolver todos os problemas
é tão ilusório quanto uma única pessoa achar que é o centro do mundo.

Assim como nenhum indivíduo é o centro de tudo,
nenhuma espécie é.
E a Terra, por sua vez, também não é o centro do universo.

No singular, o ser humano busca centralidade.
No coletivo, ele faz o mesmo.
Quer que tudo ao redor
seja sua responsabilidade.
Ou pior: sua criação.

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