terça-feira, 20 de setembro de 2011

Fazer ou Pensar?

Penso e faço.
Faço e não penso.
Escrevo sem pensar, me alegro em fazer.
Me entristeço em pensar e não fazer.

Odeio não ter o que pensar.
Odeio não fazer.
Faço por ter que fazer.
Pergunto: por que pensar?

Agradeço por não fazer o que penso.
Penso que não é possível fazer.
Faço o que não é possível pensar.
Sonho em realizar o que penso.

Viver sem pensar é não viver.
E se fazer sem pensar é um crime,
vou continuar a viver para odiar tudo que faço
e amar tudo que penso.

Padrão

O que é padrão?
Parece-me uma convenção mundial sobre o que é bom, certo, bonito, e por aí vai.

Por que temos padrões?
Por que precisamos segui-los?

Eu mesmo sigo vários padrões.
Nosso comportamento é quase sempre regido por eles.

Mas o que, de fato, significa “padrão”?
Normas e modelos escolhidos pela maioria.
Mas quem é essa maioria?
E quem, exatamente, pode me dizer o que fazer?

Já querem ditar meu modo de agir, meu modo de falar,
o que é bom, o que é bonito, o que é certo.

Se forem normas, logo penso em regras.
E se padrões viram regras, então viram leis

talvez até mais impostas do que a própria Constituição brasileira.

São padrões de como agir, comportar, pensar,
e principalmente, do que não fazer.

Nunca reparou que você segue um padrão para tudo o que faz?
Quer um exemplo?
Seu sexo nunca seguiu um padrão da indústria pornográfica?

Pode parecer estranho, mas repare:
existem padrões para quase tudo.

Isso até nos leva de volta àquela pergunta:
“O que é certo nessa vida?”

Mas veja: padrões não existem para serem certos.
Eles existem para ditar o que deve ser certo,
na concepção de certas pessoas.

Padrões de amizade.
Padrões de trabalho.
De sexo.
De alegria.
De família.
De corpo.
De sucesso.
E muito mais.

Viver os padrões?
Ou viver o que realmente pensamos?

E quando o que pensamos já são os padrões?
Estamos errados?
Ou apenas fomos condicionados a pensar assim?

Acredito que, hoje, questionar não é o padrão.
Você já deveria saber as respostas.
Você já deveria aceitar.

Até para escrever, percebo que mantenho certos padrões.
E talvez por isso seja difícil retirá-los das minhas entranhas.

Mas por que não acreditar que a fuga é possível?