sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Do além do homem.

Estava pensando sobre o além do homem.
E como seria?
Como romper com ideias tão sacramentadas?
Vejo nas palavras o cárcere das ideias,
pois não há fuga quando o sentido está preso às letras.

Como estar acima de algo
que já foi medido, contado, delimitado?
Até mesmo os recordes quebrados
existem dentro da ideia de superação.
Nada escapa do jogo já imposto.

Destruir a mentalidade
usando as armas que ela mesma criou?
Rodamos, rodamos,
e voltamos à mesma órbita.
Presos aos sentidos que só se explicam por si.

Existe criação?
Ou só disfarces da repetição?
A diferença busca o mesmo,
amarrada a algum objetivo, algum sentido.

Aprender é copiar,
com a impossibilidade da igualdade,
mas sempre pelos mesmos caminhos,
sempre pelos mesmos sentidos.

Se as palavras formam ideias,
então sua construção já define o alcance do pensamento.
Como encontrar soluções
se os sentidos sempre nos conduzem ao mesmo?

Como alterar o significado
quando a própria letra já aponta a direção?

Tento entender as palavras,
as letras, os sentidos,
mas sei que a lógica que uso
me conduz a um círculo de conexões infinitas.

Tudo está ligado a tudo.
E se algo for nada,
então algumas partes também deixarão de ser.

Mesmo quando damos sentido a um fragmento,
entendemos que não há sentido algum.