terça-feira, 27 de julho de 2010

Tristeza

Por que tenho a impressão de estar triste?
E, às vezes, parece que eu quero ficar assim.

Vontade de chorar, mas não sai nada.
Talvez por não haver verdadeiros motivos.
Motivos que, se existissem, seriam incapazes de me ferir,
porque sei que o ser humano pensa, antes de tudo, no próprio bem.

Por que eu quero estar triste?
Para sensibilizar alguém?
Para entender o que me faz mal?

E se o que me faz mal é justamente aquilo que eu tanto desejo?
Por que eu me faço tão mal?

Meus pensamentos parecem querer me destruir.
Ainda bem que no pensamento não existe ação.
Então seria impossível isso acontecer... certo?

Nós acreditamos ter tanto controle,
mas não conseguimos dominar nem o que há de mais simples.
Pensamentos pequenos,
tristezas supostamente pequenas.

A tristeza, com certeza, faz parte da vida.
Conviver com ela e superá-la não é um objetivo.
É uma condição.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Sentimento coligado

Que sentimento é esse que me domina?
Parece tão grande que me encurrala,
aperta, esmaga.

Não acho que seja um sentimento bom.
Mas, ao mesmo tempo,
é difícil imaginar um amor que exista sem ele.

Começa aos poucos
e toma proporções gigantescas.
Não consigo controlar.
É algo tão idiota que chega a me causar ódio.

Por que ser assim?
Por que imaginar tanto,
se o sentimento principal é tão bonito?

O amor poderia combater esse sentimento,
fazê-lo parar de lutar.
Mas não acredito que isso aconteça.
Não por o amor ser fraco,
nem por o outro ser forte.

A questão é que o amor cria o sentimento
que o alimenta: o desejo.

Quanto maior o amor,
maior a paixão.
E, sucessivamente, maior o desejo.

Sendo assim,
tenho que aprender a conviver com ele.
Esse sentimento tão ruim.