terça-feira, 25 de agosto de 2009

Questionar

Por que questiono tanto?
Puxa, questionei novamente.
Mas por que vivemos perguntando?

É incontrolável.
Desde criança, o ato de conhecer o mundo acontece por meio dos questionamentos.

E por que ainda temos tantas dúvidas,
mesmo depois de já termos perguntado tanto?

Talvez porque não recebemos respostas.
Ou talvez porque até recebemos,
mas não as respostas que esperávamos.
Ou, o mais provável,
porque existem mais perguntas do que respostas.

Percebi que resgatei em mim a vontade de questionar,
de não apenas olhar e aceitar.
Sei que isso pode causar desconforto em algumas situações,
mas, como já disse, é incontrolável.
Além disso, sinto uma sensação maravilhosa ao questionar.

Acredito que as pessoas deveriam questionar mais.
E não apenas questionar,
mas também buscar as respostas para aquilo que perguntam.
Porque uma pergunta sem resposta
voltará a ser perguntada.

Agora, deixo aqui alguns dos meus próprios questionamentos:

– Qual seria a forma de existência de Deus?
– O amor incondicional acontece duas vezes?
– O capitalismo é a única ideologia que funciona?
– A política brasileira tem solução?
– Quando morremos, acaba tudo?
– Eu preciso sofrer para merecer?

Questionar é o que nos dá a chance de evoluir.
Mas o que transforma essa chance em realidade
é a busca pelas respostas.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Ser normal

O que é ser normal?

Ouvi, esses dias, que algumas pessoas não me acham normal.
Disseram que eu não vivo a realidade.
E, seguindo uma linha de raciocínio lógico,
não viver a realidade seria, de fato, algo fora do normal.

Sei que o que vou dizer a seguir pode parecer apelativo
ou até mesmo uma justificativa mal elaborada para o que disseram sobre o meu comportamento.
Mas veja se estou errado.

Ser "normal", pelo menos para a maioria das pessoas que conheço,
é conversar sobre consumismo, casos amorosos, difamar outras pessoas,
e outros temas que giram sempre nos mesmos círculos.

Não vou negar que, vez ou outra, participo dessas conversas.
Mas dizer que eu fujo da realidade só porque costumo conversar sobre comportamento humano,
sobre teorias que tentam explicar nossas ações,
sobre padrões sociais, psicológicos e emocionais,
tentando analisar o que nos move
isso, sim, me parece uma distorção da realidade.

Reconheço que isso pode soar estranho para alguns.
E talvez, sim, eu fuja do que é considerado normal.
Mas dizer que eu não vivo a realidade?
Isso é uma inverdade.

Aliás, aqui vai o que muita gente considera normal:

Consumismo: vivemos num sistema em que precisamos comprar,
já que não produzimos tudo o que usamos.
Mas, em boa parte das conversas, o consumismo vira um termômetro de status.
É uma forma de dizer que se tem mais do que o outro.
É o desejo de se sobressair.

Difamar outras pessoas:
isso também tem o mesmo objetivo.
Derrubar o outro para se sentir por cima.
E essa, talvez, seja a forma mais mesquinha de se destacar.

Pelo menos uma certeza eu tenho:
talvez eu não seja normal,
mas os argumentos que construo com base no que observo
são mais sólidos do que aqueles que tentam me rotular.

E, no fim, eu pergunto:

Preciso parar de pensar para ser normal?

Porque, se for isso, então estão sugerindo que para ser normal
é preciso também ser ignorante.

domingo, 2 de agosto de 2009

Beleza

Beleza é algo que, no mundo de hoje, parece ser fator primordial para relacionamentos.
Mas de onde vem essa referência de beleza?
Ser magro, gordo, forte? Ter olhos claros? Ter um corpo de esportista?

É curioso pensar que, séculos atrás, mulheres mais gordinhas eram idolatradas.
Hoje, modelos são e querem estar cada vez mais magras.
E vemos pessoas nessa busca pelo corpo ideal travarem uma luta
em que o único resultado aceitável é alcançar uma forma perfeita.

Mas até onde a beleza realmente influencia em alguma coisa?
Chamar a atenção? Existem outras formas para isso.
Conquistar paixões? Além de haver outros caminhos,
isso pode criar grandes ilusões.

Tudo bem, às vezes falo isso por não me encaixar nesses padrões atuais
ou por não fazer disso um objetivo nos relacionamentos amorosos.
O problema é que essa ideia de perfeição está virando uma paranoia,
e muitos não enxergam outro propósito ou saída.

Ser uma pessoa considerada feia significa ter menos chances em tudo?
Será que a eficiência, o companheirismo, a honestidade, a felicidade
ou a capacidade de satisfazer o outro dependem de algum padrão de beleza?

A beleza me atrai sim.
Não vou mentir.
Mas nunca será o fator decisivo em um relacionamento.

Me apaixono por pessoas que exalam felicidade,
que demonstram sinceridade,
e que preferem me conhecer antes de tirar qualquer conclusão precipitada.