terça-feira, 18 de agosto de 2009

Ser normal

O que é ser normal?

Ouvi, esses dias, que algumas pessoas não me acham normal.
Disseram que eu não vivo a realidade.
E, seguindo uma linha de raciocínio lógico,
não viver a realidade seria, de fato, algo fora do normal.

Sei que o que vou dizer a seguir pode parecer apelativo
ou até mesmo uma justificativa mal elaborada para o que disseram sobre o meu comportamento.
Mas veja se estou errado.

Ser "normal", pelo menos para a maioria das pessoas que conheço,
é conversar sobre consumismo, casos amorosos, difamar outras pessoas,
e outros temas que giram sempre nos mesmos círculos.

Não vou negar que, vez ou outra, participo dessas conversas.
Mas dizer que eu fujo da realidade só porque costumo conversar sobre comportamento humano,
sobre teorias que tentam explicar nossas ações,
sobre padrões sociais, psicológicos e emocionais,
tentando analisar o que nos move
isso, sim, me parece uma distorção da realidade.

Reconheço que isso pode soar estranho para alguns.
E talvez, sim, eu fuja do que é considerado normal.
Mas dizer que eu não vivo a realidade?
Isso é uma inverdade.

Aliás, aqui vai o que muita gente considera normal:

Consumismo: vivemos num sistema em que precisamos comprar,
já que não produzimos tudo o que usamos.
Mas, em boa parte das conversas, o consumismo vira um termômetro de status.
É uma forma de dizer que se tem mais do que o outro.
É o desejo de se sobressair.

Difamar outras pessoas:
isso também tem o mesmo objetivo.
Derrubar o outro para se sentir por cima.
E essa, talvez, seja a forma mais mesquinha de se destacar.

Pelo menos uma certeza eu tenho:
talvez eu não seja normal,
mas os argumentos que construo com base no que observo
são mais sólidos do que aqueles que tentam me rotular.

E, no fim, eu pergunto:

Preciso parar de pensar para ser normal?

Porque, se for isso, então estão sugerindo que para ser normal
é preciso também ser ignorante.

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